apresentação do projeto vis(i)ta
VIS(I)TA
O grupo 3X4, constituído pelos artistas plásticos Carlos Krauz, Helena D'Ávila, Laura Fróes e Nelson Wilbert lança o projeto VIS(I)TA,
cujo propósito é o de visitar ateliês de artistas. Estas visitas resultam em trabalhos criados pelos componentes do 3X4 a partir das conversas com cada artista, sua obra e seu espaço de trabalho.
Os artistas são escolhidos em consenso pelo grupo e, tão logo esteja definido um nome, formulamos o convite. E, se o artista concordar com o projeto, iniciamos uma série de visitas com o intuito de aprofundar os laços com (a) o artista. Nesse tempo, a partir das conversas e encontros com sua obra e espaço de trabalho, vamos definindo nossos trabalhos a serem mostrados em seu atelier, com a sua anuência e questionamento.
Os trabalhos devem respeitar a configuração de seu espaço de trabalho, pois entendemos que este espaço, como diz o Baravelli, "é a cabeça virada do avesso". Desse modo ele é o Princípio da Intimidade do artista e que, como tal, deve ser respeitado.
Para nós este projeto significa trabalhar a partir de desafios, quer esse desafio seja o de “viver” - por dois ou três meses - um pouco do cotidiano e cosmologia do artista visitado, quer seja o de elaborar, nesse curto período, cada um seu trabalho e que o mesmo dialogue, de alguma maneira, com o artista, seu espaço de trabalho e sua obra.
Também dentro deste espírito,
um novo diálogo se estabelecerá após completarmos dez VIS(I)TAS, quando todos os artistas visitados e o 3X4 farão uma exposição e a conseqüente publicação de um livro, dando conta de todos os eventos, formando uma memória dos encontros, conversas e trabalhos realizados. Planejamos, ainda, realizar uma visita a cada três meses, o que significa trabalharmos em um prazo bastante pequeno, mas talvez intensamente largo para tentarmos estreitar as distâncias, por vezes descomunais, que a atividade de artista plástico parece ter naturalizado. Essa “naturalização” possui como peculiaridade o fato de entrarmos em contato com a obra e pensamento do artista - na maior parte das vezes - quando seu trabalho está pronto e exibido em um espaço expositivo. Nesse ponto nosso projeto tenta essa aproximação e dar a ver o fazer de cada artista visitado estabelecendo certo tipo de “escambo da produção subjetiva”.
Assim acreditamos que estamos diante de alguns desafios. E entendemos que estamos diante deles quando algo nos “desestabiliza”, exigindo-nos avaliar constantemente nossos pontos de vista; colocando-nos frente-à-frente e em convivência com o outro; com o diferente. Intuímos que só crescemos dentro do desacordo, colocando-nos em crise. Talvez uma boa imagem para exemplificar este “desestabilizar” e avaliar possamos encontrar no simples ato de caminhar, ou seja: não conseguimos dar outro passo sem que nos arrisquemos a tirar um dos pés do contato com o chão, levantando-o. Esse fugaz gesto nos coloca diante de uma crise e nosso corpo todo procura logo o apoio do chão para manter a instabilidade do deambular e garantir o avanço.
A mesma imagem nos auxiliará para aproximarmos o leitor a respeito do que entendemos por processo de produção subjetiva e cultural que buscamos alcançar em nosso projeto VIS(I)TA.
Carlos Krauz
